Anibelli Neto | Deputado Estadual – História da LAPA

História da LAPA

Com origem ligada ao tropeirismo, a Lapa é uma das cidades mais antigas do Estado do Paraná e mantém seu Centro Histórico com características originais. As ruas de paralelepípedos, as réplicas de luminárias antigas e construções em estilo colonial português dos séculos XVIII e XIX encantam os visitantes. Nestas ruas e imóveis está viva a memória de um episódio que marcou a trajetória política brasileira e ficou conhecido como Cerco da Lapa.
O nome da cidade tem origem na marcante presença, ao leste, de uma montanha com formações rochosas que contém uma gruta em que viveu, por algum tempo, o monge João Maria D’Agostinis, tornando-a ponto de peregrinação e de grande valor místico.
Os saborosos pratos típicos, como o virado de feijão com torresmo, a quirera, os tijolinhos de abóbora e a coxinha de farofa fazem da gastronomia um importante atrativo.
A Lapa é uma cidade tranquila, ótima para se morar e investir. Tem uma boa infraestrutura de saneamento básico, educação, transporte, saúde e lazer.
A principal atividade econômica do município é a agropecuária, com espaço para o desenvolvimento industrial, comercial e de serviços. A oportunidade de negócios no setor de turismo também apresenta avanços.
Cerca de 60% de sua população se concentra no meio urbano, mas ainda possui uma população rural significativa, distribuída em 64 comunidades rurais interligadas por aproximadamente 3.000 km de estradas.

ORIGEM
A Lapa teve início como povoado no tempo dos tropeiros, por volta de 1731, quando por aqui passavam e faziam pouso os homens responsáveis pelo comércio animal do país, compondo o Caminho das Tropas ou Caminho de Viamão. No entanto, há registros de que já em 1541 andou por estas terras o primeiro desbravador, D. Alvar Nunez Cabeza de Vaca, a mando do Rei da Espanha, e depois dele outros desbravadores e bandeirantes. Porém, muito antes do homem branco chegar, há indícios arqueológicos da habitação de povos indígenas das tribos Kaigang e Guarani.
No século XVII, por consequência das atividades de mineração, o povoamento do território paranaense se restringia principalmente ao litoral e à região de Curitiba. Apenas ao norte da Vila de Curitiba existiam algumas fazendas de gado bovino. Os altos preços pagos em ouro pelo gado expandiram esse comércio. Em função do mercado forte em Minas Gerais, as fazendas do Rio Grande do Sul passaram a suprir o mercado mineiro. Na inexistência de estradas para a subida das tropas de gado, o governo de São Paulo determinou a abertura de uma estrada que ligasse o Rio Grande do Sul até a região dos Campos Gerais.
Após expedições de bandeirantes que vieram do Norte e do Sul para essa região abrindo estradas, Manoel Rodrigues da Mota refez a estrada. Por seus esforços, aquela estrada passou a se chamar Estrada do Mota, que mais tarde teve o nome alterado para Estrada da Mata. Esse trecho de estrada fazia parte do que viria a ser chamado de Caminho do Viamão, que ligava o Rio Grande do Sul a Sorocaba, em São Paulo.
Ao longo da estrada foram se estabelecendo vários “pousos” ou “invernadas”, locais apropriados para a engorda do gado antes de prosseguir viagem. Esses fatores, fundamentais para o povoamento, atraíram os primeiros habitantes da Lapa – João Pereira Braga e sua mulher, Josefa Gonçalves da Silva. A presença, na margem ocidental do Rio Iguaçu, do Registro de Curitiba – posto construído para cobrança de direitos sobre a passagem de animais – fazia com que os tropeiros permanecessem mais tempo, criando condições para o início do povoamento.

DENOMINAÇÕES
Em 1768, moradores solicitaram uma sesmaria (concessão de terras no Brasil pelo governo português) para o patrimônio de uma igreja e foram atendidos. No dia 13 de junho de 1769, o Padre João da Silva Reis (filho de João Braga e Josefa) tomou posse deste patrimônio, instalando a Freguesia de Santo Antônio de Lisboa. Em 13 de junho de 1797, passou a se chamar Freguesia de Santo Antônio da Lapa. No ano de 1806, quando o número de habitantes era de 2.235, o Capitão português Francisco Teixeira Coelho elevou a freguesia para a categoria de vila, surgindo assim a denominação Vila Nova do Príncipe.
Com a criação da Província do Paraná e sua consequente organização judicial, a Vila Nova do Príncipe passou a ser o 5º Termo Judiciário e Policial da Comarca da Capital. Em 30 de maio de 1870, tornou-se Comarca, tendo sua instalação em 11 de junho de 1871.
No dia 07 de março de 1872, a Vila Nova do Príncipe teve seu território desmembrado de Curitiba e foi emancipada como município, passando a se chamar Lapa, nome pelo qual o lugar era conhecido devido à grande quantidade de pedras existentes na região.

MONGE
O município da Lapa situa-se entre o primeiro e o segundo Planalto Paranaense e destaca-se em sua geografia a Escarpa Devoniana, paredão rochoso onde se encontra a Gruta do Monge, conhecida pelos poderes místicos e milagrosos atribuídos ao monge João Maria D’Agostinis, que por ali fez morada entre 1847 e 1855. “São João Maria”, como era conhecido, dedicava-se ao estudo das plantas da região, medicava enfermos, realizava profecias e fazia orações, razão pela qual o local – hoje parte do Parque Estadual do Monge – é procurado por pessoas que buscam cura para seus males.
Registros históricos apontam que foram três os monges que freqüentaram a região. Além de João de Maria D’Agostinis, o segundo esteve na Lapa em meio a Revolução Federalista e o terceiro em 1912. De acordo com a lenda, os monges faziam previsões diversas. Alguns dizem ser possível perceber a imagem de uma santa na fenda existente na pedra que serviu de abrigo ao monge João Maria – conhecida como pedra partida.

CERCO DA LAPA
Após a Proclamação da República, em 1889, surgiram desavenças em vários pontos do país, a exemplo de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O Marechal Deodoro renunciou e o vice-presidente, Marechal Floriano Peixoto, ocupou seu lugar, crente de que essas desavenças nas diferentes províncias cessariam naturalmente, o que não aconteceu. A insurreição iniciou no Rio Grande do Sul, quando revolucionários federalistas, seguidores de Silveira Martins, incitam uma guerra contra o governo de Floriano Peixoto. Para contê-la, uniram-se os republicanos liderados por Júlio de Castilhos, por esse motivo chamados “castilhistas”. Não havia uma causa incontestável para a revolução, mas três possibilidades: críticos do regime republicano, que ansiavam pela volta da monarquia; partidários do regime republicano, mas que queriam outro líder, que não Floriano Peixoto, e aqueles que eram a favor de outras formas de governo, menos centralizadas, como o presidencialismo moderado ou o parlamentarismo republicano.
Gumercindo Saraiva, posterior líder da Revolta que sitiou a Lapa, participou nas primeiras batalhas contra os castilhistas, em 1893, no Rio Grande do Sul. De lá, ele e suas tropas partiram para Santa Catarina e Paraná. Essa rota era obrigatória para atingir a então capital do Brasil, o Rio de Janeiro. Estava instaurada a guerra entre “maragatos”, federalistas contrários ao governo e “pica-paus”, os republicanos. Os federalistas receberam tal denominação porque eram oriundos de Maragateria, na Espanha. Já os pica-paus eram assim chamados pela semelhança de sua vestimenta, com divisas brancas e boné vermelho, com a plumagem do pássaro de mesmo nome.
Diante da constatação de que seria impossível a pacificação no Sul, o Marechal Floriano Peixoto enviou Francisco de Paula Argolo para comandar o 5º Distrito Militar. Em outubro de 1893, o general Argolo reuniu uma força expedicionária em Curitiba e seguiu para a Lapa, onde foi recebido por Joaquim Lacerda. Além da Lapa, havia tropas de resistência republicana em Paranaguá e Tijucas.
As cidades de Tijucas e Paranaguá não resistiram aos invasores e restou à Lapa conter o avanço dos federalistas. No dia 02 de dezembro, o General Argolo passou o comando ao Coronel Antônio Ernesto Gomes Carneiro.
No dia 14 de janeiro de 1894 foram avistadas na estrada de ferro as forças atacantes, com aproximadamente 1.200 homens. Em 17 de janeiro tiveram início os ataques à cidade, que resistiu bravamente por 26 dias, com um exército de 900 homens. A Lapa ficou sitiada, sem comunicação com o exterior e sem possibilidade de fuga, já que as estradas de ferro e de rodagem estavam interceptadas. Faltava comida, água e os cadáveres em decomposição exalavam mau cheiro. Mesmo assim e apesar das notícias de que os revoltosos tinham tomado outras cidades do Paraná, Gomes Carneiro não aceitou conversar com qualquer emissário a respeito da rendição.
A capitulação somente ocorreu no dia 11 de fevereiro, dois dias após a morte do General, que fora gravemente ferido durante combate. Em seu leito de morte, repete: “Resistência, resistência… Resistamos camaradas, porque nós, soldados, não temos direitos, mas apenas deveres a cumprir, e os deveres de um soldado resumem-se em um único, queimar o último cartucho e depois morrer”.
Os dias em que as tropas republicanas resistiram foram o suficiente para que o Marechal Floriano Peixoto guarnecesse a cidade de Itararé, em São Paulo, e preparasse a defesa para impedir o avanço de Gumercindo Saraiva em direção ao Rio de Janeiro.
Os restos mortais desses guerreiros, entre eles do General Gomes Carneiro, estão depositados no “Panteon dos Heroes”, um dos símbolos da Lapa e mais importante monumento cívico do Paraná.
Fonte : http://lapa.pr.gov.br/conteudo/233/historia

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